As Revelações Privadas

(Mt 1, 1) Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
Jesus, palavra hebraica que significa Salvador. (v.21) Cristo é o equivalente grego da palavra hebraica Messias, que significa consagrado por unção. (Jo 1, 41)

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"As Revelações Privadas" /wiki:revel-priv Template artigos livros + Originel 14 Mar 2021 16:29

As Revelações Privadas

3) REVELAÇÕES

4. AS REVELAÇÕES PRIVADAS1

803. a) EXISTÊNCIA

Sempre houve almas iluminadas com o espírito de profecia. É um fato conhecido pela Sagrada Escritura e pela autoridade da Igreja nos processos de canonização. Discutir a possibilidade de revelações particulares — diz Meynard — seria desconhecer uma das características de santidade da verdadeira Igreja e o soberano poder de Deus.

804. b) NÃO ENTRAM NO DEPÓSITO DE FÉ.

Nossa fé é baseada na revelação feita aos profetas e apóstolos, contida nas Sagradas Escrituras e na Tradição, sob o controle e a vigilância da Igreja. As revelações particulares, independentemente de sua importância e autenticidade, não pertencem, portanto, à fé católica. No entanto, reconhecidas como tais após prudente juízo, sem dúvida aqueles que as receberam devem curvar-se em relação a elas. Se essa adesão deve ser neles um ato de fé divina, discutem os teólogos isso; a opinião afirmativa - pelo menos quando o fato da revelação é bastante evidente - parece mais aceitável. O que foi dito sobre aqueles que recebem as revelações também é entendido por aqueles a quem Deus ordena divulgar seus designios, desde que tenham certas provas da autenticidade dessa revelação. Para outros, pode não passar da crença piedosa, não tendo que dar-lhes consentimento de fé divina, mesmo que tenham sido aprovados pela Igreja como não contrários ao dogma ou à moral. Quando a Igreja aprova uma revelação privada, não tenciona garantir sua autenticidade; simplesmente declara que nada é contrário às Escrituras Sagradas e à doutrina católica e que pode ser proposta como provável à crença piedosa dos fiéis. No entanto, seria muito repreensivel aprovados contradizê-las ou ridicularizá-las após a aprovação da Igreja

805. c) ALCANCE DAS REVELAÇÕES PRIVADAS.

Mesmo que uma revelação particular tenha características de divina de acordo com as regras do discernimento, pode resultar em falsa se quiserem estendê-la a um campo que não lhe pertence, por mais próximo que seja. Ocorre com muita frequência nessas revelações que a atividade intelectual do destinatário, seus conhecimentos naturais e até suas preocupações teológicas ou científicas contribuem fortemente para a formação de certos detalhes da imagem, episódio ou discurso revelado, alterando seu verdadeiro significado ou introduzindo elementos humanos misturados com o divino. Muitas vezes, essas alterações são devidas indubitavelmente a editores ou copistas. E assim acontece, por exemplo, que as revelações de Santa Catarina de Sena, dominicana, coincidem totalmente com a doutrina de Santo Tomás, e as da Venerável Maria de Ágreda franciscana, favorecem quase sempre a doutrina de Duns Escoto.

Outro obstáculo no qual alguém pode facilmente tropeçar é o relacionado à interpretação dessas revelações, mesmo assumindo que elas foram recebidas e transmitidas sem corrupção ou interpolação humana. O Senhor não dá suas luzes sobrenaturais para que, sem tentação ou consideração, sejam aplicadas de acordo com a conveniência de cada um, e às vezes permite que sejam mal interpretadas para punir qualquer presunção ou curiosidade nelas. São João da Cruz expõe amplamente essa doutrina e aduz diversos casos do Antigo Testamento em sua confirmação.

806. d) NATUREZA TEOLÓGICA DAS REVELAÇÕES.

Temos que repetir mais vez o que já dissemos ao lidar com visões e locuções. De próprio, essas graças não entram no desenvolvimento normal da graça santificante e sequer a pressupõe na alma, como no caso de Caifás. Pertencem, então, per se às graças gratis datae e, entre elas, à profecia, de acordo com a classificação paulina. No entanto, muitas delas causam grande bem a quem as recebe, no sentido que já explicamos. De qualquer forma, os mestres da vida espiritual concordam que não se deve desejar essas graças pelos grandes perigos a que elas expõem, uma vez que o demônio ou a própria fantasia têm aqui um grande campo de ação para fazer todo os tipo de enganos e ilusões. São João da Cruz tem por pecado - ao menos venial - pedir a Deus revelações.

807. e) REGRAS DE DISCERNIMENTO.

Resumiremos brevemente as principais indicadas pelos mestres espirituais:

1.ª Devemos rejeitar como absolutamente falsas as revelações opostas ao dogma ou à moral. Em Deus não há contradição.

2.ªAs revelações contrárias ao sentimento comum dos teólogos ou que dão como revelado o que é discutido livremente nas escolas, são gravemente suspeitas. A maioria dos autores diz que devem ser rejeitadas; outros dizem que poderiam ser admitidas após serem examinadas com particular escrúpulos. Bento XIV faz referência às duas opiniões sem dirimir a questão.

3.ª Uma revelação não deve ser rejeitada, simplesmente porque algumas de suas partes ou detalhes são obviamente falsos. Pode ser que no restante seja verdadeira.

4.ª Uma revelação não pode ser considerada divina porque é cumprida em parte ou em tudo. Porque poderia ser o efeito da casualidade ou do conhecimento natural. Revelações que visam a coisas inúteis, curiosas ou inconvenientes devem ser e mesmo das que são prolixas sem necessidade,

5.ª Revelações que visam a coisas inúteis, curiosas ou inconvenientes devem ser rejeitadas como não divinas. Diga-se o mesmo das que são prolixas sem necessidade, ou carregadas de evidências e razões supérfluas. As revelações divinas são geralmente muito curtas e discretas: poucas palavras e muito claras e precisas.

6.ª Examine cuidadosamente a pessoa que recebe as revelações, seu temperamento e seu caráter. Se for discreto e criterioso, se estiver com boa saúde, se for humilde e mortificado, se for avançado em santidade, etc.; ou, pelo contrário, se fica extenuada por austeridades ou doenças, se sofre de condições nervosas, se é propenso a entusiasmo e exaltação, se divulga facilmente suas revelações, etc. Aqui uma forte conjectura pode ser desenhada sobre a origem de tais revelações.

7.ª Por fim, a principal regra do discernimento - nisso e em tudo - sempre serão os efeitos produzidos na alma pelas pretensas revelações: «A árvore boa não pode dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos» (Mt 7,18).



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